Forçada a viver em Lisboa, desde os anos 80, devido a uma insuficiência renal grave que a obrigou durante muitos anos a submeter-se a tratamento de hemodiálise, Alcestina Tolentino, natural da ilha de São Vicente, fez o curso de Assistente Social em Coimbra, na década de 60.
Depois da independência, em 1975, exerceu as funções no então Ministério de Saúde de Assuntos Sociais,, primeiro, de técnica no Gabinete de Estudos e Planeamento, e, mais tarde, de directora-geral dos Assuntos Sociais, antes de transitar para os Negócios Estrangeiros.
Em 1984, regressou a Portugal para trabalhar como conselheira da Embaixada para os Assuntos de Imigração, uma vez que, já na altura, detectou-se que ela padecia de insuficiência renal grave que a impossibilitava de continuar a viver em Cabo Verde onde até agora não existe uma unidade de hemodiálise.
Na capital portuguesa, Alcestina Tolenties, apesar das suas limitações em termos de saúde, esteve ligada, desde 1985, à Associação Cabo-verdiana de Liisboa, da qual foi presidente da Direcção durante várias.
Como líder associativo da comunidade cabo-verdiana em Portugal, a malograda esteve sempre empenhada na luta solidária dos compatriotas para o desenvolvimento de Cabo Verde e num relacionamento estreito dos emigrantes com o torrão natal, bem como a sua plena integração na sociedade portuguesa.
Alcestina Tolentino foi também uma defensora entusiasta de uma aproximação mais estreita entre os países que se expressam em português. Numa entrevista concedida ao jornalista português Gabriel Raimundo, que trabalhou vários anos em Cabo Verde, ela revelou que um dos seus sonhos era ver implementada o estatuto de cidadão lusófono.
A malograda foi também fundadora da Associação dos Quadros Cabo-Verdianos na Diáspora, tendo participado activamente nas actividades e encontros promovidos por esta organização formada na capital portuguesa mas que aglomera compatriotas residentes em diversas partes do mundo.
Em declarações à Rádio de Cabo Verde, o embaixador cabo-verdiano em Portugal, Arnaldo Andrade destacou o papel desempenhado por Alcestina Tolentino como um dos primeiros quadros que participou na construção do Estado de Cabo Verde, depois da independência, com realce para a área da assistência social.
Arnaldo Andrade recordo também a dedicação de Alcestina Tolentino à causa da emigração cabo-verdiana em Portugal, onde além de ter dirigido durante muito anos a Associação Cabo-verdiana em Lisboa, a mais antigo no país luso, contribuiu também para o surgimento de outras associações representativas dos emigrantes naquele país.